8 de novembro de 2026
Correio da Tarde

Duarte Gomes quebra o silêncio e levanta dúvidas sobre o funcionamento da arbitragem portuguesa

Duarte Gomes voltou a colocar a arbitragem portuguesa no centro da atualidade. O antigo árbitro internacional, que deixou recentemente as funções de diretor técnico nacional da arbitragem na Federação Portuguesa de Futebol, decidiu quebrar o silêncio e falar publicamente sobre as razões que estiveram na origem da sua saída.

Duarte Gomes quebra o silêncio e levanta dúvidas sobre o funcionamento da arbitragem portuguesa

Duarte Gomes voltou a colocar a arbitragem portuguesa no centro da atualidade. O antigo árbitro internacional, que deixou recentemente as funções de diretor técnico nacional da arbitragem na Federação Portuguesa de Futebol, decidiu quebrar o silêncio e falar publicamente sobre as razões que estiveram na origem da sua saída.

As declarações levantam questões sobre o funcionamento interno da arbitragem e sobre alegadas irregularidades que Duarte Gomes afirma ter identificado durante o período em que exerceu funções na estrutura federativa. As alegações devem, contudo, ser tratadas como tal: afirmações do antigo árbitro que carecem de apuramento e contraditório, e não como irregularidades já demonstradas.

Uma saída que levantou perguntas

Duarte Gomes é um dos rostos mais conhecidos da arbitragem portuguesa.

Depois de uma longa carreira nos relvados, tornou-se comentador e analista de arbitragem, antes de assumir responsabilidades na estrutura da Federação Portuguesa de Futebol.

A sua passagem pela direção técnica colocou-o numa posição privilegiada para acompanhar os processos de formação, avaliação e funcionamento dos árbitros portugueses.

Foi precisamente por isso que a sua saída despertou atenção.

Agora, ao decidir explicar publicamente parte do que aconteceu, Duarte Gomes abre uma discussão que ultrapassa a sua situação pessoal.

Está em causa a confiança no sistema que decide quem arbitra, como os árbitros são avaliados e de que forma são tomadas decisões numa das áreas mais escrutinadas do futebol português.

Suspeitas precisam de respostas

O futebol português conhece bem as polémicas relacionadas com arbitragem.

Praticamente todas as jornadas produzem discussões sobre penáltis, cartões, fora de jogo ou decisões do VAR.

Mas o assunto levantado por Duarte Gomes é diferente.

Não se trata de discutir se um árbitro tomou a decisão correta durante um Benfica–Sporting ou um FC Porto–Braga.

Trata-se de perceber se existem problemas no próprio funcionamento da estrutura responsável pela arbitragem.

E quando alguém que ocupou um cargo de responsabilidade nessa estrutura apresenta dúvidas ou denúncias, estas merecem ser esclarecidas.

Isso não significa assumir que as acusações são verdadeiras.

Significa precisamente o contrário: permitir que os factos sejam apurados e que todas as partes envolvidas possam responder.

A FPF terá de esclarecer

A Federação Portuguesa de Futebol terá agora um papel importante.

Se as questões levantadas pelo antigo diretor técnico não correspondem à realidade ou resultam de divergências internas, a Federação terá oportunidade de explicar os procedimentos utilizados e apresentar a sua versão dos acontecimentos.

Se existirem situações que justifiquem uma investigação interna ou externa, deverão igualmente ser esclarecidas.

A pior resposta seria deixar as suspeitas crescerem sem explicação.

A arbitragem vive essencialmente de confiança.

Um adepto pode discordar de uma decisão. Um clube pode considerar-se prejudicado. Um treinador pode protestar.

Mas todos precisam de acreditar que o sistema que escolhe, forma e avalia os árbitros funciona segundo regras transparentes e iguais para todos.

Um futebol que precisa de transparência

Portugal exporta jogadores, treinadores e árbitros para algumas das maiores competições do mundo.

A qualidade do futebol português é reconhecida internacionalmente.

Mas a discussão permanente em torno da arbitragem continua a prejudicar a imagem das competições nacionais.

Por isso, as declarações de Duarte Gomes não deveriam transformar-se apenas em mais uma guerra entre protagonistas do futebol.

Podem ser uma oportunidade para esclarecer procedimentos, aumentar a transparência e reforçar a confiança.