Os colégios privados continuam a ocupar os primeiros lugares dos rankings nacionais do ensino secundário, mantendo uma vantagem significativa sobre as escolas públicas nas classificações dos exames nacionais de 2025.
Os resultados divulgados esta sexta-feira confirmam uma tendência que se repete há vários anos. Pelo sétimo ano consecutivo, nenhuma escola pública conseguiu entrar nas primeiras 30 posições da classificação nacional.
O Grande Colégio Universal, no Porto, lidera o ranking com uma média de 16,82 valores, seguido dos colégios Nossa Senhora do Rosário e Efanor, também localizados na região do Grande Porto.
A primeira escola pública surge apenas na 33.ª posição. Trata-se da Escola Secundária Alves Martins, em Viseu, com uma média de 14,17 valores. Seguem-se a Escola Secundária de Monção, com 14,08, e a Escola Básica e Secundária de Anadia, com 14 valores.
A diferença entre o ensino público e o privado é igualmente visível nas médias globais. Nos exames do 11.º e 12.º anos, os estabelecimentos privados alcançaram uma média de 13,8 valores, contra 11,9 nas escolas públicas.
Em Matemática A, uma das disciplinas tradicionalmente mais exigentes, a diferença é ainda mais expressiva: 14,34 valores nos colégios privados, contra 11,43 no ensino público.
Os números voltam a alimentar uma discussão antiga sobre as desigualdades no sistema educativo português. Embora os rankings permitam comparar os resultados obtidos nos exames, não refletem necessariamente as condições em que os alunos estudam ou o trabalho desenvolvido por cada estabelecimento.
Os colégios privados recebem frequentemente alunos provenientes de famílias com maior capacidade económica, que dispõem de mais recursos para explicações, atividades complementares e acompanhamento escolar.
As escolas públicas, por sua vez, acolhem uma população muito mais diversificada, incluindo estudantes de diferentes contextos sociais, económicos e familiares.
Esta diferença torna-se particularmente evidente quando se analisam os resultados através de outros critérios.
Um estudo desenvolvido pelo Público e pela Católica Porto Business School procurou avaliar a capacidade das escolas para superar os resultados esperados, tendo em conta fatores como a escolaridade dos pais, a idade dos alunos e os apoios sociais.
E, neste caso, o panorama muda consideravelmente.
Das 50 escolas que mais conseguiram superar os resultados esperados, 38 são públicas.
A Escola Secundária de Vouzela, no distrito de Viseu, lidera esta classificação. Os seus alunos obtiveram uma média de 13,65 valores, quando, considerando o contexto socioeconómico, seria esperado um resultado próximo dos 11,06.
O contraste entre os dois rankings mostra que as melhores classificações nos exames nem sempre correspondem às escolas que mais contribuem para a evolução dos seus alunos.
Uma escola que recebe estudantes com maiores dificuldades e consegue resultados acima do esperado pode estar a desenvolver um trabalho educativo particularmente relevante, mesmo sem aparecer nos primeiros lugares da classificação tradicional.
Para as famílias portuguesas, os rankings continuam a ser uma referência importante na escolha de um estabelecimento de ensino. Mas os especialistas alertam regularmente para a necessidade de considerar outros fatores, como o acompanhamento pedagógico, o ambiente escolar, a estabilidade do corpo docente e a capacidade de apoiar alunos com diferentes necessidades.
Os resultados de 2025 confirmam, assim, duas realidades que coexistem no sistema educativo português.
Os colégios privados continuam a dominar as médias dos exames nacionais. Mas muitas escolas públicas destacam-se pela capacidade de fazer os seus alunos progredir, mesmo em contextos menos favorecidos.