A contestação contra o preço dos combustíveis ganhou esta sexta-feira uma dimensão diferente. Depois dos protestos dos automobilistas, foram os camiões que saíram para a estrada, numa marcha lenta organizada por empresários do setor das terraplanagens e que provocou condicionamentos no Norte do país.
A concentração começou durante a manhã em Lordelo, com entrada na A42 por volta das 7h40. A organização apontava para a participação de mais de 400 veículos pesados, numa ação destinada a chamar a atenção para o impacto do preço do gasóleo nas empresas que dependem diariamente de máquinas e camiões.
O protesto surge depois de várias semanas de forte pressão nos preços dos combustíveis. Para estas empresas, o problema assume proporções muito diferentes das sentidas por um automobilista particular. Um camião ou uma máquina de terraplanagem pode consumir centenas de litros e qualquer aumento de alguns cêntimos transforma-se rapidamente em milhares de euros de custos adicionais ao longo de um mês.
É precisamente esse argumento que os empresários querem colocar no centro da discussão. Quando o combustível sobe, não é apenas a margem das empresas que diminui. Os custos acabam por chegar às obras, ao transporte de materiais e, mais tarde, aos preços cobrados aos clientes.
A marcha percorre vários pontos da região, incluindo Paredes, com destino à zona do Porto, numa manhã marcada por circulação lenta e acompanhamento das autoridades.
O protesto acontece também num momento em que o Governo acaba de anunciar novas medidas para tentar conter o impacto da crise energética.
Entre elas está um mecanismo extraordinário destinado aos transportes públicos rodoviários e às empresas de transporte de mercadorias, através do qual o Estado poderá compensar até 70% dos custos adicionais com combustíveis entre outubro e dezembro de 2026.
As medidas não impediram, contudo, a mobilização desta sexta-feira.
O setor das terraplanagens considera que a subida do gasóleo ameaça a sustentabilidade de muitas empresas, sobretudo das mais pequenas, que têm menor capacidade para absorver aumentos rápidos dos custos.
Depois das manifestações de automobilistas, a entrada dos profissionais na contestação aumenta também a pressão sobre o Executivo.
Porque quando centenas de camiões avançam lentamente pela estrada, o preço do combustível deixa de ser apenas aquilo que aparece no painel de uma bomba.
Passa a ser também um problema para quem trabalha com ele todos os dias.