8 de novembro de 2026
Correio da Tarde

Euribor volta a subir: quanto pode aumentar a prestação da casa?

As taxas Euribor voltaram a acelerar e registaram o maior salto dos últimos seis meses. Para milhares de famílias portuguesas com crédito à habitação a taxa variável, a consequência poderá chegar nos próximos meses: uma nova subida da prestação. Mas quanto pode representar? Fizemos as contas para empréstimos de 150 mil, 200 mil e 250 mil euros.

Euribor volta a subir: quanto pode aumentar a prestação da casa?

As taxas Euribor voltaram a acelerar e registaram o maior salto dos últimos seis meses. Para milhares de famílias portuguesas com crédito à habitação a taxa variável, a consequência poderá chegar nos próximos meses: uma nova subida da prestação. Mas quanto pode representar? Fizemos as contas para empréstimos de 150 mil, 200 mil e 250 mil euros.

As Euribor arrancaram esta semana com uma subida expressiva. As taxas a seis e a 12 meses, utilizadas como referência numa grande parte dos créditos à habitação com taxa variável em Portugal, aumentaram esta segunda-feira 0,116 e 0,152 pontos percentuais, respetivamente, naquele que foi o maior salto diário desde 24 de março.

A subida acontece num contexto de nova pressão sobre os preços da energia e de receios de inflação na zona euro. Os mercados estão agora a admitir novas subidas das taxas de juro pelo Banco Central Europeu (BCE) até ao final do ano.

Para quem tem um crédito à habitação a taxa variável, estes números podem parecer abstratos. Mas a Euribor tem uma consequência muito concreta: pode alterar diretamente o valor da prestação mensal da casa.

Afinal, o que é a Euribor?

A Euribor — Euro Interbank Offered Rate — é uma taxa de referência do mercado monetário europeu.

De forma simplificada, serve de referência para o custo a que os bancos se financiam entre si e é utilizada em milhões de contratos financeiros na Europa.

Em Portugal, tornou-se particularmente conhecida porque é utilizada para calcular os juros de muitos créditos à habitação.

Um contrato pode, por exemplo, estar associado à Euribor a três, seis ou 12 meses.

A Euribor a seis meses é atualmente a mais representativa entre os empréstimos para habitação própria permanente a taxa variável em Portugal. Dados do Banco de Portugal relativos a julho indicavam um peso de cerca de 39,9%, seguida das Euribor a 12 e a três meses.

Euribor + spread: é assim que o banco calcula os juros

Há dois conceitos que não devem ser confundidos.

Imagine um crédito com:

Euribor: 2,8%
Spread do banco: 1%

A taxa utilizada para calcular os juros será, de forma simplificada:

2,8% + 1% = 3,8%

O spread corresponde à margem definida pelo banco no contrato. A Euribor, pelo contrário, varia ao longo do tempo.

É por isso que, mesmo que o seu spread continue exatamente igual, a prestação pode subir quando a Euribor aumenta.

A prestação não muda todos os dias

Este é outro ponto importante.

Se hoje a Euribor subir, isso não significa que amanhã a sua prestação fique imediatamente mais cara.

A atualização depende do indexante previsto no contrato.

Quem tem Euribor a três meses vê a taxa revista, normalmente, de três em três meses. Com Euribor a seis meses, a revisão ocorre semestralmente. E com Euribor a 12 meses, acontece anualmente.

É no momento dessa revisão que a evolução da Euribor passa a ter impacto na prestação.

Quanto pode representar numa família?

Para perceber a ordem de grandeza, fizemos uma simulação simples.

Considerámos um crédito a 30 anos, com spread de 1%, e comparámos uma taxa total de aproximadamente 3,32% com uma taxa de 3,79%.

São valores ilustrativos próximos da evolução recente da Euribor a seis meses e servem apenas para mostrar como uma diferença de cerca de meio ponto percentual pode afetar uma prestação.

Empréstimo de 150.000 euros

Com uma taxa total próxima de 3,32%, a prestação seria de aproximadamente:

659 euros por mês

Com uma taxa próxima de 3,79%:

698 euros por mês

Diferença:

+39 euros por mês
+473 euros por ano

Empréstimo de 200.000 euros

A prestação passaria aproximadamente de:

878 euros para 931 euros

Ou seja:

+53 euros por mês
+631 euros por ano

Empréstimo de 250.000 euros

Neste exemplo, a prestação passaria de cerca de:

1.098 euros para 1.164 euros

A diferença seria de:

+66 euros por mês
+788 euros por ano

Quanto maior o empréstimo, maior o impacto

Capital em dívida Prestação anterior* Nova prestação* Diferença mensal Diferença anual
150.000 € 659 € 698 € +39 € +473 €
200.000 € 878 € 931 € +53 € +631 €
250.000 € 1.098 € 1.164 € +66 € +788 €

*Simulação indicativa para 30 anos, comparando taxas totais de aproximadamente 3,32% e 3,79%, incluindo um spread de 1%. Não representa uma proposta comercial nem a situação específica de cada contrato.

Os números mostram como uma alteração aparentemente pequena da taxa de juro pode representar várias centenas de euros adicionais por ano no orçamento familiar.

Mas o meu crédito tem 200 mil euros. Vou pagar mais 53 euros?

Não necessariamente.

Há uma diferença fundamental entre o valor inicialmente pedido ao banco e o capital que ainda falta pagar.

Se contratou um empréstimo de 200 mil euros há dez anos, provavelmente já não deve 200 mil euros ao banco. A prestação será recalculada tendo em conta o capital ainda em dívida, o prazo restante, a Euribor aplicável e as restantes condições do contrato.

Por isso, os exemplos acima servem para perceber a dimensão do impacto, não para prever exatamente a prestação de cada família.

Porque está a Euribor novamente a subir?

A Euribor não depende apenas das decisões já tomadas pelo BCE. Os mercados tentam antecipar aquilo que o banco central fará no futuro.

E o cenário mudou nas últimas semanas.

A inflação da zona euro atingiu 3,3% em agosto, enquanto a subida dos preços da energia voltou a aumentar os receios de que seja mais difícil trazer a inflação de volta ao objetivo de 2% do BCE.

O mercado passou, por isso, a antecipar novas subidas das taxas diretoras. Depois do aumento decidido pelo BCE na semana passada, as expectativas apontam agora para a possibilidade de mais duas subidas de 0,25 pontos percentuais até ao final de 2026, nas reuniões de outubro e dezembro.

E a Euribor começa frequentemente a refletir essas expectativas antes de as decisões serem efetivamente tomadas.

O que pode fazer quem tem crédito à habitação?

Uma subida da Euribor não significa que o cliente tenha simplesmente de esperar pela próxima prestação.

É possível verificar junto do banco se existem condições para reduzir o spread, renegociar o contrato, alterar o tipo de taxa ou transferir o crédito para outra instituição.

Também é importante comparar propostas com cuidado. Uma prestação inicial mais baixa não significa necessariamente que o crédito seja mais barato durante todo o contrato.

Quem tem taxa fixa não é diretamente afetado pelas oscilações da Euribor durante o período em que essa taxa estiver contratada. Nos contratos de taxa mista, o impacto dependerá da fase em que se encontra o empréstimo.

Uma diferença de décimas que pode valer centenas de euros

A Euribor é frequentemente apresentada através de pequenas variações — 0,1 pontos aqui, 0,2 pontos ali — que parecem ter pouca importância.

Para uma família com dezenas ou centenas de milhares de euros ainda por pagar ao banco, porém, essas décimas podem transformar-se rapidamente em dezenas de euros por mês e centenas de euros por ano.

É por isso que acompanhar a Euribor não é apenas acompanhar os mercados financeiros.

Para muitas famílias portuguesas, é acompanhar quanto poderá custar a casa no próximo mês, no próximo semestre ou no próximo ano.